.: Villa romana de Vilares, Murches (Cascais) :.

 

Entre Novembro de 2007 e Abril de 2008 foi realizada uma intervenção de salvaguarda nos terrenos adjacentes à villa romana de Vilares (Murches, Cascais), uma vez que se encontra previsto um projecto de urbanização para toda a área. Esta estação arqueológica foi objecto de escavação em 2000 e 2001, sob a responsabilidade do Professor Doutor José d’Encarnação, Dr. Guilherme de Jesus Cardoso, Dr. João Pedro Marcelino Cabral e Dra. Maria de Lurdes Nieuwendam. No decurso desses trabalhos identificaram-se diversos vestígios de época romana, nomeadamente estruturas associadas a uma villa e algumas sepulturas, bem como silos de época islâmica, vestígios estes que se prolongavam para além da área então intervencionada. Entre Maio e Agosto de 2007 procedeu-se ao acompanhamento arqueológico da abertura de valas para implantação de infra-estruturas de saneamento naquele local, sedimentando a ideia de existência de estruturas e materiais na zona em redor da parte escavada da villa.

A intervenção arqueológica agora levada a cabo compreendeu a limpeza e desmatação do terreno; a abertura das valas diagnóstico por processos mecânicos e sua limpeza manual; e a definição e registo de todos os contextos arqueológicos identificados. Foram assim efectuadas valas diagnóstico de cerca de 1m de largura e espaçadas entre si cerca de 5m, numa área total de aproximadamente 6000m2, que revelaram numerosos e variados vestígios. Efectivamente, a cerca de 10m da zona escavada da villa romana surge um conjunto de cinco estruturas em alvenaria de pedra seca, de 60cm de espessura, atribuíveis ao período romano e que, embora já muito destruídas, aparentam formar dois compartimentos. Encontram-se associadas a níveis com grande concentração de cerâmica, sobretudo de construção (tegulae).

Mais para sul, a uma distância de aproximadamente 50m identificou-se um grupo de 28 estruturas negativas que poderão corresponder a silos/fossas de cronologia islâmica. A mais de 150m de distância da villa, para sul, foi possível ainda definir seis estruturas em alvenaria de pedra seca, atribuíveis ao período romano, que ocupam uma área de cerca de 400m2. Surgem ainda em algumas zonas derrubes de pedra que poderão pertencer a outras estruturas ainda por identificar. Não obstante a quantidade e diversidade de vestígios detectados durante esta intervenção, a sua própria natureza ditou a escassez de materiais arqueológicos recolhidos. Na realidade, o facto de se ter levado a cabo uma intervenção de diagnóstico, efectuando valas mecânicas com o propósito de detectar, localizar, caracterizar e preservar àreas de concentração de vestígios arqueológicos, conduziu a uma recolha apenas exemplificativa do material existente. Assim, o espólio registado é na sua totalidade cerâmico e conta com alguns exemplos de terra sigillata e paredes finas. No que respeita a cronologias, a maioria das peças é de difícil atribuição, uma vez que se trata de fragmentos cerâmicos sem identificação formal. Há no entanto algumas peças claramente atribuíveis à Idade do Ferro, como é o caso de alguns bordos de ânfora; à época romana, no caso da terra sigillata e paredes finas; ou mesmo a época islâmica.

Para além dos vestígios referidos, detectaram-se um pouco por toda a área diferentes concentrações de material arqueológico, que se delimitaram e assinalaram. É, aliás, de referir, que de todas as estruturas (negativas e positivas) e demais vestígios identificados se fez apenas registo gráfico e fotográfico, definindo-se para tal os seus limites. Todas as áreas de maior sensibilidade foram reservadas para futura escavação manual. Nesse sentido, o material arqueológico recolhido constitui apenas uma amostragem que, não obstante, nos permite uma melhor caracterização do local e das suas diferentes ocupações ao longo do tempo.