.: Rua António Maria Cardoso, Chiado (Lisboa) :.
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As sondagens arqueológicas realizadas na Rua António Maria Cardoso, números 9 a 13, revelaram um conjunto de estruturas de funcionalidade diversa, com alguma dispersão no local, e níveis de depósito sedimentar de cronologia Moderna/contemporânea. As informações obtidas através das sondagens de solo foram complementadas com os dados das sondagens parietais, as quais permitiram, não só a compreensão do aparelho construtivo do edifício, como a identificação da Muralha Fernandina ao longo da fachada traseira do edifício. A intervenção nas sondagens 1 e 2 permitiu sobretudo a identificação de vários níveis de depósitos sedimentares bastante heterogéneos de cronologia Moderna/Contemporânea. Em ambas, foi identificado um nível de argamassa de cal, bastante irregular, que se interpretou como um possível piso ou um depósito formado posteriormente à construção do edifício. Ainda na sondagem 1 foi identificado um piso formado por argamassa e cerâmica de construção sob depósitos contemporâneos. A sondagem 3 revelou, logo após a remoção dos primeiros estratos, uma estrutura para circulação de água de cronologia contemporânea com orientação Este-Oeste composta por lajes de média dimensão dispostas horizontal e verticalmente, unidas por argamassa de cal. Foram ainda identificados alguns níveis de pisos de composição bastante diversa. Nesta sondagem encontra-se também um muro, constituído por pedras de média e grande dimensão, com Orientação Este-Oeste, cuja vala de fundação cortou o substrato geológico. Este muro, bem como a caleira e o piso em terra batida [312], ficaram preservados in situ. No entanto, dado o facto de apenas termos colocado a descoberto um pequeno troço desta estrutura com escasso material arqueológico associado, não nos permitem aferir quanto à sua cronologia e funcionalidade. Na sondagem 4, para além dos níveis de depósitos sedimentares e de pisos, foi identificada uma outra caleira, também orientada Este-Oeste, mas com a diferença de, para além das lajes de média dimensão, a sua construção ter reaproveitado elementos da calçada destruídos aquando da sua fundação. Também esta estrutura permanece in situ. A sondagem 5 foi implantada junto da parede Oeste do compartimento abobadado localizado na zona SO do edifício e permitiu a identificação da Muralha Fernandina, estando esta avançada relativamente à parede actual do compartimento. Estes dados foram confirmados posteriormente com a sondagem parietal 5 localizada sobre esta sondagem. Foi também aqui identificada uma sequência estratigráfica com depósitos muito perturbados pela presença de tocas de animais. No entanto foi possível perceber que a Muralha Fernandina nesta área terá sido demolida na sua parte superior, de forma a regularizar o piso do compartimento. A escavação da sondagem 6 colocou a descoberto parte de uma estrutura de grande dimensão, totalmente revestida por argamassa, tendo sido apenas identificada o topo e um dos lados. A área intervencionada não permitiu a compreensão da funcionalidade e real dimensão da estrutura. Nesta sondagem surgiu ainda uma fossa e um muro em pedra solta orientado Norte-Sul. As relações estratigráficas bem como a interpretação das realidades observadas ofereceram algumas dúvidas, pelo que somente com o alargamento da área de intervenção, poderemos obter algumas das respostas para as muitas dúvidas que se levantaram, como anteriormente foi exposto. A escavação do enchimento da fossa detectada junto ao fundo da sondagem permitiu a recolha de vários fragmentos cerâmicos, osteológicos e malacológicos. Entre os recipientes cerâmicos destacamos o aparecimento de dois pratos de majólica italiana, sendo um deles integrado nas produções de Deruta dos séculos XVI. É de referir ainda o aparecimento de um testo de bordo em barbela, cuja produção é atestada até ao século XVI. A abertura das sondagens parietais possibilitou a concretização de um dos objectivos dos trabalhos arqueológicos, que era a detecção da Muralha Fernandina e identificação de técnicas construtivas adoptadas no edifício. Assim, a sondagem parietal 3 permitiu a identificação de um dos torreões da Muralha Fernandina, localizada no estremo SO do actual edifício, sobre o qual se veio mais tarde a desenvolver um dos torreões do edifício pombalino. A abertura de outras sondagens na fachada tardoz do edifício proporcionou a identificação de outros troços de muralha, preservados a alturas distintas. Relativamente à técnica construtiva adoptada, estamos perante uma estrutura que utiliza uma técnica de taipa, que ao invés de enchimentos em terra, é constituída por argamassa de cal de forte consistência com inclusão de pedra calcária e fósseis de conchas de pequenas dimensões. Trata-se de uma construção de forte consistência que recorreu a taipais com uma altura média de cerca de 85cm, sendo visíveis os orifícios de agulheiro utilizados para suporte dos taipais e andaimes.
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