.: Ermida N.º S.ª das Mêrces/Parque Urbano das Mêrces (Sintra) :.
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Do projecto Parque Urbano das Mercês, a área intervencionada corresponde à Área B – Casa Agrícola Pombalina, Anexos e Ermida. As sondagens do sector I, relativas à Ermida revelaram os níveis mais bem preservados, dois muros: um na sondagem III; e outro na sondagem I. Ambos poderão estar relacionados, fazendo provavelmente parte de elementos estruturais pré-existentes à ermida. A sondagem II revelou um caneiro associado à fachada principal da ermida. A sondagem IV, junto ao vão de escadas da casa agrícola, revelou a existência de dois níveis de pisos e um caneiro de construção idêntica ao da sondagem VIII. Já as sondagens XX, XIX e XVIII, não revelaram nada significativo em termos arqueológicos, pois os poucos materiais recolhidos, maioritariamente contemporâneos e alguns modernos, estavam claramente descontextualizados. No que diz respeito à sondagem XVII foi implementada de modo a que se pudesse registar o topo da mina de água existente no local, porém sem pôr em risco a sua estabilidade. O mesmo método foi aplicado em todas as sondagens, nomeadamente nas referentes ao caneiro, à calçada, ao forno e às sondagens junto ao edifício da casa, anexos e muros identificados, tendo-se sempre optado pela preservação de contextos e estruturas considerados relevantes, tendo em vista o futuro projecto previsto para o local De um ponto vista geral a grande maioria dos estratos revelaram-se revolvidos, com materiais de cronologia moderna/contemporânea. No entanto registaram-se alguns elementos que vale a pena analisar de uma forma mais atenta. Os artefactos com uma cronologia mais recuada enquadram-se na Pré-história. São algumas lascas recolhidas nas sondagens IX, XIV e XVIII, em camadas de enchimento, misturadas com materiais de cronologias mais recentes. Entre estes artefactos mais recuados destaca-se um núcleo (277) de lamelas em sílex. Elemento recolhido na sondagem X, igualmente numa camada de enchimento, misturado com materiais de cronologias variadas. Dadas as suas características tipológicas é possível uma maior aproximação crono-cultural ao período Neo-calcolítico. Os materiais pré-históricos recolhidos no decurso dos trabalhos são um indício de uma ocupação recuada deste espaço. No entanto, é necessário ter em conta que estes elementos em pedra lascada foram recolhidos em camadas de enchimento, misturados com materiais de cronologia variada. Podendo este sedimento ser proveniente de outro local de origem desconhecida. Os restantes elementos materiais realçam uma ocupação enquadrada entre os séculos XVII e XX. Entre os artefactos que mais seguramente permitem esta avaliação encontram-se os fragmentos de faiança. O conhecimento geral dos modelos e técnicas decorativas adoptados desde o século XVII aos nossos dias, permite um melhor enquadramento temporal dos diferentes estratos e níveis registados. Os estratos mais bem preservados registaram-se nas sondagens I e II do sector 1. São contextos que ilustram os níveis de ocupação relacionados com a Ermida de Nossa Senhora das Mercês. Revelando um conjunto material relativamente pouco fragmentado, como é exemplo os variados fragmentos de copo em vidro (90, 91) que foi em parte possível reconstruir. Juntamente foram recolhidos variados fragmentos de cerâmica comum, bem como um significativo conjunto de faiança decorada a azul sobre fundo branco, revelando modelos decorativos típicos de finais do século XVII à 1ª metade do século XVIII. Entre estes destacam-se dois fragmentos de fundo apresentando parte de siglas com as letras “M” e NH”. Estas são vestígios de marcas de encomenda ou propriedade, elementos que por vezes surgem em louças destinadas a ambientes monásticos ou religiosos (SEBASTIAN, 2008). O facto de estarmos apenas perante fragmentos dificulta a leitura das referidas siglas. No entanto, levanta-se a hipótese da letra “M” poder fazer parte da palavra “MERCÊS”. Podendo desta forma estarmos perante uma antiga referência à ermida. Contudo, apenas a continuação dos trabalhos poderá levar a interpretações mais fundamentadas. É ainda realçar o facto de se ter encontrado um paralelo num fragmento de faiança do Mosteiro de São João de Tarouca, onde se pode ver também a letra “M” (SEBASTIAN, 2008, p.16). As restantes sondagens, mesmo as IV e V, onde se poderiam registar níveis mais bem preservados relacionados com a designada casa Pombalina de época setecentista, apenas revelaram materiais de várias épocas dos séculos XVII ao XX, misturados em contextos de enchimento. Assim, em termos gerais podemos afirmar que o espaço em análise revela alguns indícios materiais de uma possível ocupação Pré-histórica. Revelando os vestígios materiais contextos muito bem preservados junto à ermida de Nossa Senhora das Mercês. Sendo o restante espaço analisado intensamente ocupado do século XVII à actualidade. Em termos gerais, pensamos que os trabalhos arqueológicos permitiram ilustrar de forma objectiva a área em análise. Revelando elementos que podem auxiliar no delinear do projecto previsto para o local.
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