.: Terra do Javardo, Arneiro (Cascais) :.

 

 Espaço urbano situado a cerca de trezentos metros a SW do Largo do Chafariz do Arneiro, numa suave encosta orientada Este-Oeste.

 Na sequência da intenção do proprietário em apresentar um projecto de loteamento para o terreno em causa, o objectivo principal dos trabalhos realizados foi o de averiguar o potencial arqueológico do local, uma vez que à superfície surgiam vestígios dispersos de materiais líticos e cerâmicos de cronologia pré-histórica.

 Os trabalhos efectuados dividiram-se em 3 fases distintas:  

  • Aquando do início dos trabalhos, o terreno em causa encontrava-se coberto por vegetação rasteira, que não permitia a realização de qualquer prospecção prévia ao terreno. Os trabalhos de limpeza da área decorreram nos dias 24, 25 e 26 de Março de 2008, iniciando-se com a remoção da vegetação que cobria todo o terreno excepto numa área com cerca de 600m² situada no limite este do terreno, que não possibilitou a sua limpeza, pois encontrava-se na altura completamente alagada devido à acção da água que se acumula naquele local. Durante esta primeira fase foi igualmente efectuada prospecção sistemática de alta intensidade, sendo a distância entre as linhas de prospecção de cerca de 5 metros.

  • Acompanhamento da abertura de valas de diagnóstico por processos mecânicos ligeiros, com a largura de cerca de 1 metro, abertas até ao substrato geológico e procurando cobrir toda a extensão do terreno, de forma a avaliar o potencial arqueológico do sítio, segundo a determinação da Câmara Municipal de Cascais. Estas valas tiveram no entanto maior incidência nas áreas de maior concentração de vestígios arqueológicos detectados à superfície do terreno;

Os vestígios arqueológicos postos a descoberto com a abertura das valas de diagnóstico, conduziram à abertura de sondagens manuais, de modo a avaliar a função e cronologias desses vestígios. Assim, foram efectuadas 1 sondagem de 6m x 3m, 1 sondagem de 4m x 2m e 1 sondagem de 2m x 2m;

 A intervenção arqueológica na jazida de Terra do Javardo, permitiu a recolha de material arqueológico constituído por fragmentos de cerâmica, artefactos líticos e escasso material metálico e osteológico. Cronologicamente, os materiais detectados quer à superfície quer depois nas diferentes camadas registadas durante a escavação manual, enquadram-se entre a pré-história recente e o período moderno/contemporâneo, sendo a sua maioria enquadrável na pré-história recente. O material pré-histórico cerâmico encontra-se bastante fragmentado, não surgindo qualquer material que permita uma correcta integração cronológica. No que se refere ao material lítico, os dados obtidos mostram que estamos perante uma indústria lítica que tem por base as lascas. Ao nível cronológico há a destacar a presença de vários elementos de foice, atribuídos tipicamente à Idade do Bronze, contrastando com a ausência total de peças bifaciais característicos do Calcolítico. A conjugação destas evidências leva-nos a acreditar estarmos perante materiais produzidos na Idade do Bronze;

 A intervenção arqueológica efectuada permitiu detectar uma estrutura de combustão de forma semicircular com cerca de 62cm de comprimento e 10cm de espessura, constituída por barro cozido. No que se refere às funções desta estrutura, de combustão, podemos estar perante um pequeno forno para cozedura de recipientes cerâmicos, uma simples lareira para confeccionar alimentos ou uma estrutura associada à actividade metalúrgica. Embora esta última hipótese seja a menos plausível uma vez que não foi possível detectar durante a escavação qualquer vestígio de prática metalúrgica. A estrutura encontra-se bastante destruída não permitindo definir qual as suas reais dimensões.

 Os trabalhos arqueológicos permitiram comprovar a existência naquele local de um povoado integrado na pré-história recente, encontrando-se no entanto este muito destruído, possivelmente fruto da intensa actividade agrícola a que aqueles solos estiveram sujeitos. O aparecimento da referida estrutura de combustão, embora também já bastante destruída ficar-se-á a dever ao facto de naquele local existir ainda preservada uma potência estratigráfica de cerca de 60cm e de possivelmente a lavra ter sido menos intrusiva nessa área.